Tumores das glândulas salivares

    Como ocorre em todas as áreas do conhecimento humano, também no terreno das lesões de glândulas salivares, grandes têm sido os progressos de natureza científica. Assim, tem surgido novos conceitos e classificações mais precisas que permitem uma identificação mais exata das várias patologias que até então eram, muitas vezes, confundidas por seu quadro clínico ou histopatológico.

    Esses tumores podem ser encontrados em qualquer localização da boca, porém, ocorrem mais freqüentemente no palato mole e na parte interna do lábio, onde se situam em grande número as glândulas salivares menores. (mais…)

Carcinoma do palato duro

A separação entre os cânceres do palato duro e do palato mole é justificada:

  1. No palato mole e nos tecidos contíguos das fauces, o carcinoma espinocelular é bastante comum, representando 10 a 20% das lesões intrabucais.
  2. No palato duro, os carcinomas espinocelulares são relativamente raros, mas os adenocarcinomas são relativamente comuns. Os carcinomas do palato, entretanto, são obsevados freqüentemente em países como a Índia, onde é comum o hábito de fumar cigarros de modo invertido.

    Os carcinomas espinocelulares palatinos se apresentam geralmente como placas vermelhas ou brancas, ou como massas ulceradas (os adenocarcinomas, inicialmente, aparecem como massas não ulceradas) em homens idosos. As metástases nos nodos cervicais indicam um curso sinistro. (mais…)

Carcinoma espinocelular

    Em relação a incidência de todos os cânceres, os carcinomas espinocelulares da boca e da orofaringe representam cerca de 4%  do total nos homens e 2% nas mulheres.Expressa em números, entretanto , a estatística parece mais impressionante. Anualmente, prevê-se a ocorrência de aproximadamente 30.000 novos casos de câncer da boca (lábio, inclusive) e da orofaringe em homens e mulheres, nos Estados Unidos. A relação atual de homens para mulheres é de mais ou menos 2 para 1. A diferença de 3:1 para 2:1 tem sido relacionado com o aumento do número de mulheres fumantes e com sua probabilidade de vida mais longa. (mais…)

Carcinoma do assoalho da boca

    O assoalho da boca é a segunda localização mais comum dos carcinomas espinocelulares, representando 15 a 20% dos casos. Mais uma vez, os carcinomas nessa localização são observados predominantemente em homens de mais idade, especialmente nos fumantes e alccoólicos inveterados.
 
    O aspecto usual é o de uma úlcera indolor, que não cicatriza, endurecida. Ele também pode aparecer como uma placa branca ou vermelha. Ocasionalmente os tecidos moles do assoalho da boca, causando redução da mobilidade da língua. Nas lesões do assoalho da boca, não são raras as metástases nos nodos linfáticos submandibulares. (mais…)

Carcinoma da mucosa jugal e gengival

    As lesões da mucosa jugal e da gengiva representam, cada uma cerca de 10% dos carcinomas espinocelulares da boca. O grupo afetado está representado pelos homens na sétima década da vida.

    O tabaco sem fumaça é um fator etiológico importante da transformação maligna nessas regiões. O aspecto clínico varia de  uma placa branca a uma úlcera que não cicatriza e a uma lesão exofítica. Nesta última categoria se encontra o carcinoma verrucoso.

    Este súbito do carcinoma espinocelular, associado mais freqüentemente ao uso do tabaco sem fumaça, apresenta-se  como uma massa de base larga, semelhante a uma verruga. É de crescimento lento, muito bem diferenciado, raramente produz metástase, e tem prognóstico muito bom. (mais…)

Carcinoma basocelular

    Este neoplasma maligno comum, derivado das células basais da pele, tem potencial metastático baixo. Exceto em casos muito raros, não ocorrem nas mucosas, inclusive no vermelhidão dos lábios.

As pessoas que ocorrem maior risco de desenvolver o carcinoma basocelular são:

  • Possuem menos pigmentação natural da pele;
  • Com histórias de exposição crônica e prolongada ao sol;
  • Aquelas com mais de 40 anos de idade;
  • Aquelas com história de radiação ou queimaduras cutâneas;
  • Aquelas com uma das várias das síndromes hereditárias predisponentes.

   Entre estas últimas encontra a condição importante, relacionada com a boca, da síndrome do nevo basocelular, na qual as pessoas podem apresentar ceratocistos odontogênicos múltiplos, anormalidades esqueléticas e múltiplos carcinomas basocelulares. (mais…)

Ameloblastomas

    Os ameloblastomas são tumores odonteogênicos constituídos pela proliferação de epitélio ameloblástico num estroma fibroso. Originam-se dos restos vestigias da lâmina dental ou do epitélio de cisto odontogênico, embora esta última possibilidade seja mais rara.

    Este é um tumor com uma imagem cística multialveolar, que pode ser etiologia dental. A relação entre o dente e o cisto pode ser difícil de se detectar na radiografia, embora alguns cistos dentais podem se tornar ameloblastomas, por exemplo, do terceiro molar. Se o diagnóstico é incerto, uma biopsia pré-operatória é fundamental. Os ameloblastomas não são usuais no maxilar. Neste caso, eles geralmente ocorrem no seio.

    Manifestam-se igualmente em ambos os sexos e ocorrem mais freqüentemente em torno dos trinta anos. Oitenta por cento desses tumores se localizam na mandíbula, principalmente na região dos molares e no ramo ascendente. Na região da maxila localizam-se de preferência na região do canino e do seio maxilar. São assintomáticos e de crescimento lento. Provocam expansão dos ossos maxilares, sendo este, na maior parte das vezes, o único sintoma indicativo da presença da neoplasia. Mostram grande tendência à invasão local e à recidiva, razão pela qual se recomenda cirurgia com margem de segurança para o tratamento desses tumores. As curetagens locais são absolutamente ineficientes e mesmo contra indicadas pela incidência elevada de recidiva que esta prática oferece, a não ser nos ameloblastomas localizados na parede de cisto. Ademais, as múltiplas recidivas parecem estar relacionadas à possibilidade de metástases pulmonares, neste tipo de tumor, devido à aspiração acidental das células neoplásticas durante os procedimentos cirúrgicos. (mais…)