Estas condições são difíceis de descrever em
detalhes completo, em vista das muitas variações de posição e
anatomia da raiz. Os exemplos seguintes são, portanto, designados
apenas para se oferecer orientação de escolha de método cirúrgico
adequado em caso individual.
De
forma geral, excetuando pacientes muito idosos, ou os que
apresentam condição de saúde comprometida; todos os dentes
inclusos devem ser indicados para a extração tão logo seu
diagnóstico seja realizado.
A idade média de irrupção dos terceiros molares é
de 20 anos, embora sua irrupção possa continuar em
alguns pacientes até os 25 anos. Logo se o dente
irromper os 20-25 anos é provável que ele esteja coberto
por osso ou esteja impactado mesioangularmente; que
seria decorrente de uma falha durante o desenvolvimento
do dente em que não ocorre a rotação necessária para que
ele fique em posição vertical; ou ainda quando o espaço
para irrupção não é suficiente. Nesses casos a extração
está indicada.
Qual a melhor época para a realização da cirurgia?
Os pacientes jovens toleram melhor o procedimento
cirúrgico e se recuperam mais rapidamente, visto que a
cicatrização óssea é melhor e a reparação óssea continua
a longo prazo. A remoção precoce, até os 25 anos, pode
favorecer e muito a saúde periodontal dos pacientes e a
época mais apropriada para a extração dos terceiros
molares ocorre após a formação do primeiro terço
radicular e antes da formação do segundo terço
radicular, aproximadamente entre os 16 a 18 anos.

Existem riscos se eu quiser manter meus dentes inclusos?
Sim. Logo devemos conscientizar nossos pacientes
dos cuidados com a manutenção de dentes inclusos. Um dos
problemas que podem ocorrer são que dentes irrompidos
próximos a dentes inclusos estão sujeitos a problemas
periodontais. A presença de um terceiro molar inferior
incluso, diminui a quantidade de osso na face distal do
segundo molar adjacente.
Além disso, a face distal do último dente é mais difícil
de ser mantida limpa, podendo ocorrer inflamação
gengival e posteriormente periodontite. E se bactérias
causadoras da cárie estiverem presentes, a cárie é outro
problema a ser considerado.
Uma outra infecção que podemos citar é a
periocoronarite, que ocorre nos tecidos moles à volta da
coroa de dentes parcialmente inclusos, aparecendo com
freqüência nos terceiros molares inferiores. A
pericoronarite pode surgir a partir de pequenos traumas
ocasionados pelo terceiro molar superior sobre a mucosa
da superfície oclusal que recobre o terceiro inferior
parcialmente inclusos (opérculo), deixando-a edemaciada,
e conforme ocorre o trauma mais edemaciado ela se torna
e mais facilmente ela é traumatizada. Esse ciclo só é
interrompido com a remoção do terceiro molar superior. A
outra causa de pericoronarite é a retenção de alimentos
em uma bolsa entre o opérculo e o dente parcialmente
incluso. Como essa bolsa é de difícil higienização, ela
é invadida por bactérias, iniciando a pericoronarite.

A pericoronarite causa dor e inchaço local nos casos
mais suaves, podendo ser tratada com soluções irrigantes
como a água oxigenada ou clorexidina e analgésicos para
diminuir a dor na região. No entanto nos casos mais
graves pode causar intensa dor refletida para o ouvido e
cabeça, dificuldade para deglutir, aumento do volume da
face, mal-estar, febre, trismo (dificuldade de abrir a
boca), havendo necessidade de antioticoterapia e, às
vezes, até de hospitalização dependendo da gravidade.
Outro risco que se tem com a manutenção de um dente
incluso, é que em alguns casos o dente incluso pode
causar pressão suficiente sobre a raiz do dente
adjacente para causar reabsorção.
Além disso, o folículo dentário que acompanha o dente
incluso antes do seu irrompimento pode sofrer uma
degeneração cística ou uma alteração epitelial podendo
causar a formação de cistos ou tumores de origem
odontogênica.
Um outro risco seria o de fratura de mandíbula; um
terceiro molar incluso na mandíbula, ocupa um espaço que
seria ocupado normalmente por osso. Isso enfraquece a
mandíbula deixando-a mais susceptível às fraturas.
Há também os casos de indicação ortodôntica, pois na
maioria das vezes, um terceiro molar incluso pode
interferir no tratamento ortodôntico sendo recomendado a
extração dos terceiros molares inclusos antes do início
da terapia ortodôntica. Alguns recomendam aração dos
terceiros molares para prevenir apinhamento anterior.
Duas condições importantes para se obter um bom
resultado são:
1)
Planejamento cuidadoso da operação, baseado em exame clínico e
radiográfico completo.
2) Assegurar
uma linha de extração livre, antes de iniciar a remoção do dente.
Deveria haver mínima remoção de osso e, é muitas vezes, menos
traumático dividir o dente, a fim de se obter uma linha de
extração livre para cada porção.
A operação consiste das seguintes fases:
-
Levantamento
de retalho mucoperiósteo
-
Exposição da
linha de extração livre
-
Remoção do
dente
-
Limpeza da
ferida e sutura
TERCEIRO
MOLAR INFERIOR
Condições anatômicas - Este
dente pode está situado de várias maneiras diferentes e a técnica
operatória deve, portanto, ser adaptadas de acordo. Consideradas
do plano oclusal, 5 posições principais podem ser encontradas.
Estas são as posições:
-
Vertical
-
Mésio-angular
-
Disto-angular
-
Horizontal
-
Invertido
-
Atípica ou
Especial
No que se refere ao último grupo, as operações podem ser tão
difícieis, que sua descrição está fora do escopo deste manual.
Somente as quatro categorias mencionadas primeiro serão
discutidas. As estruturas anatômicas relevantes a estas operações
são mencionadas no desenho. Notar a linha de incisão da borda
anterior do ramo ascendente. O corte é feito através dp músculo
bucinador e parte do tendão do músculo temporal. É importante que
a incisão não seja feita muito medianamente, onde a artéria
retromolar, na fossa retromolar, ou ainda pior, o nervo lingual,
pode ser cortado.
O
nervo lingual está situado perto do osso lingual na área do
terceiro molar e é também passível de ser lesado, mais tarde, na
operação. Finalmente, deveria ser mencionado que o nervo alveolar
inferior muitas vezes passa em relação próxima com a raiz do
terceiro molar, penetrando-se em casos raros.


A linha de
incisão é semelhante nas quatros categorias. Começa na borda
anterior do ramo ascendente e continua como incisão marginal bucal
aos segundo e terceiro molares. Em ocasiões raras, em retenções
extremamente profundas, pode ser necessário aplicar uma linha
angular de incisão, a fim de se obter visão do campo operátorio. A
incisão vertical é feita na extramidade mesial da incisçao
marginal. O levantamento do retalho mucoperiósteo é indicado na
região do primeiro molar e continua distalmente à borda anterior
do ramo ascendente, onde pode ser necessário dividir o tendão do
músculo temporal com uma tesoura para se obter exposição óssea
adequada.

O retalho lingual é, muitas vezes, aderente ao saco dentário e
deve ser dissecado. O campo operátorio é exposto como demonstrado
no lado direito da figura. O elevador de periósteo, nesta posição,
protege o nervo lingual durante a operação.

Posição
vertical - Terceiros molares, situados verticalmente,
com anatomia radicular normal, como demonstrado no desenho, podem,
muitas vazes, ser removido sem muita dificuldade, pois a linha de
extração livre pode ser assegurada somente pela remoção de osso.
Os retalhos mucoperiósteos vestibular e lingualmente são
levantados como demonstrado nos desenhos procedentes.

A Cobertura óssea é removida de
tal maneira que a proeminência do dente seja exposta. Para
assegurar uma linha de extração livre é, especialmente importante,
remover quantidade adequada de osso distalmente à coroa, porque as
raízes curvas distalmente forçam o dente a ser removido naquela
direção.

Quando a
coroa é exposta adequadamente, um elevador reto é colocado
mesialmente, tão perto quanto possíveis, do colo de dente. Com
movimentos relatórios cautelosos do elevador , o dente é levantado
para o alvéolo. Se após o afrouxamento inicial o dente encontra o
osso distal, o elevador pode ser colocado bucalmente, para elevar
o dente para fora, em direção lingual.

Se as
raízes do dente do siso situado verticalmente são curvas, como
demonstrado no desenho, o dente deve ser dividido e cada
raiz removida na direção mais favorável, com relação à sua
curvatura. As raízes são separadas aplicando-se uma broca grande ,
deixando o espaço necessário para a liberdade adequada de
movimento. A inclinação da boca deve seguir a da coroa, para
evitar a perfuração do osso lingual.

Em vista
dos movimentos comparativos limitados possíveis, quando da remoção
do primeiro fragmento, é aconselhável começar a elevação da raiz
menos curva, neste caso, a raiz distal. A remoção ocorre em dois
estágios:
-
A raiz é luxada, movendo-se a
coroa mesialmente
-
Seguindo-se uma rotação revertida,
que iça o dente do alvéolo.

O fragmento
mesial é removido em direção distal, onde o espaço adequado foi
criado.

Todas as
bordas ósseas e áreas onde os elevadores se apóiam deveriam ser
niveladas com lima. O campo operatório é irrigado com soro
fisiológico, especialmente na fenda entre o retalho bucal e a
mandíbula, onde resto de osso ou de dente podem se esconder.
Sutura apertada é feita do segundo
molar, para evitar que o retalho deslize para cima. Esta
sutura deveria segurar a mucosa abaixo da proeminência do dente.
Uma segunda sutura é feita por cima da cavidade, em ponto de
colchoeiro.

Posição Mesio-angular - Um dente nesta posição tem
inclinação mais ou menos pronunciada da coroa, na direção mesial.
Desta maneira as cúspides mesiais estão travadas contra a
superfície distal do segundo molar. Isto torna impossível a
abtenção de linha de extração livre somente com a remoção de osso
O levantamento do retalho é feito da maneira usual.

Após
a exposição da coroa, a parte mesial é dividida com uma broca e o
fragmento é removido com o elevador.

Com o
elevador reto ou contra-angulado, apoiado na parte mesial da
cavidade, o restante do dente é removido em direção distal. Esta
linha de extração exige aumento adequado do espaço pericoronário,
na parte distal.

Divisão do dente do siso
mésio-angular é muitas vezes mais fácil e feita mais rapidamente
com um cinzel. Após a divisão, a parte distal é removida primeiro,
seguido pelo fragmento mesial. A sutura é feita como demonstrado
na figura abaixo.

Posição
Disto-angular
- Este tipo pode ser mais difícil de
remover do que o operador é levado a crer, julgando apenas a
radiografia. A coroa está travada numa cavidade óssea da borda
anterior do ramo ascendente, enquanto a raiz está situada perto da
raiz distal no segundo molar. O levantamento do retalho é feito de
maneira usual.


Em vista da
condições mencionadas, é impossível remover o dente intacto, a
menos que haja considerável quantidade de redução óssea. É,
portanto, menos traumatizante cortar a porção distal da coroa,
usando brocas ou cinzel, e remover os fragmentos separadamente.
Isto exige apenas uma ressecação óssea moderada.
A porção mesial
mais ampla do dente pode, agora, ser removida por elevação do lado
mesial. A despeito desta separação a coroa pode muitas vezes se
encaixar na parede distal óssea, durante o último estágio da
elevação. Nestes casos, o elevador é mudado para o lado vestibular
e o dente é guiado para fora do alvéolo, numa direção lingual,
assim evitando sua projeção superior distal.

Se o dente
demonstrar uma inclinação disto-angular pronunciada, ou está
profundamente imerso no osso, é melhor cortar toda a coroa e
removê-la. Desta maneira, se cria mais espaço para elevação do
resto do dente.

Usando-se
uma broca, parte do osso mésio-vestibular é removido para criar
espaço para um ponto de elevação, na superfície da raiz. Com o
elevador contra-angulado colocado aí, o resto do dente é elevado
na direção distal. Se as raízes divergem excessivamente da linha
de extração, pode ser necessário seccioná-las e removê-las uma por
vez.

Posição Horizontal - Dente do
siso incluso horizontalmente é, quase sempre, situado com a coroa
em relação íntima com a superfície distal do segundo molar. O
levantamento do retalho é feito da maneira usual.


Após expor
a parte superficial da coroa, o dente é separado com uma broca de
fissura grande na junção cemento-esmalte. A fim de se poder
remover a parte coronária, este fragmento deveria ser mais largo
no cimo, do que na parte inferior, e o corte deveria, portanto,
ser feito com uma inclinação distal.

Como o canal
mandibular está, muitas vezes, situado em relação íntima com o
dente, o corte não é feito em toda a profundidade. A última ponte
de dentina é fraturada com elevador de Barry, como demonstrado no
desenho.

A coroa é
empurrada distalmente até onde o permita a largura do corte. As
cúspides são assim liberadas e a coroa pode ser elevada para fora
da cavidade.

Um orifício
é feito com a broca na raiz distal. O elevador de Barry é colocado
nele e com o osso distal usado como apoio, as raízes são puxadas
para frente na cavidade, de onde elas são removidas.

Terceiro molar superior
A maior dificuldade na remoção deste dente do siso está na
observação inadequada da região. Os problemas técnicos são
raramente de magnitude especial, quando a consideração devida é
dada à relação íntima com o seio maxilar e com o osso esponjoso,
que proibe a aplicação de qualquer força excessiva. O dente está
geralmente situado, em direção vestibular, mésio-angular, com
superfícb oclusal apontando em direção bucal. A mesma técnica
pode, portanto, ser aplicada na maioria dos casos.
