Existe pelo menos quatro reações à experiência dentária; medo,
ansiedade, resistência e timidez. O dentista que, como rotina,
tratar de criança logo verificará que elas nem sempre demonstram
ma reação ao tratamento dentário. Essa combinação torna o problema
mais complexo, particularmente se o dentista precisa diagnosticar
essa reação rapidamente e sem a vantagem de conhecer a experiência
anterior da criança com outros profissionais.
MEDO. O medo é uma das emoções mais freqüentes da
infância . Ele afeta o bem estar físico e mental da criança e pode
ser extremamente prejudicial.
Watson e Lowery acreditam que o medo , na maioria dos casos, é
"criado em casa", assim como o amor e a raiva. Eles também
acreditam que, à idade de três anos, a vida emocional está
estabelecida e os pais já determinaram para a criança se ela será
feliz, saudável e afetuosa ou se será uma pessoa triste e
irritada, como as que têm atitudes dominadas pelo medo. Toda a
criança, entretanto, tem certos receios naturais, como uma ameaça
de segurança.
Gesell e Ilg observaram que um bebê chora se ouvir uma porta
bater, se houver um movimento imprevisto, ou se sentir uma brusca
falta de apoio. Crianças mais velhas experimentam outro tipo de
medo adquirido que se desenvolve através de imitação. O indivíduo
que eles imitam podem ter medo de trovões, ou de ir ao dentista,
ou de uma enorme variedade de experiências. Um terceiro tipo de
medo que a criança expressa é resultado de experiências
desagradáveis com um animal, um companheiro de brinquedo, ou mesmo
um dentista ou médico de consultas anteriores.
Não devemos presumir, por essa razão, que todas as crianças tenham
medo do consultório dentário. Aquelas que de fato tem essa reação
podem estar imitando alguém ou adquiriram esse medo em virtude de
uma experiência real.
Durante a primeira consulta o dentista procurará executar
procedimentos simples, explicando cuidadosamente o que está
fazendo e a função de todos os instrumentos, e, aos poucos, ir
passando para o tratamento de rotina. Embora o controle de voz
normalmente baste para que os temores da criança sejam superados,
em certos casos pode ser necessário usar alguma forma de
contenção, principalmente numa emergência. Os pais, entretanto,
devem estar atentos para o fato de que o dentista e seus
assistentes terão que controlar a criança mesmo para fazer um
simples exame superficial, mostrando a ela que o tratamento é
agradável e mesmo diferente do que ela esperava ou contaram.
ANSIEDADE. Ansiedade ou insegurança estão,
provavelmente, muito ligadas ao medo. Edelston afirmou que algumas
crianças desenvolveram aos poucos a segurança necessária e outras,
muitas vezes, continuam inseguras e ansiosas bem depois da época
em que deveriam ter superado tais problemas. Crianças ansiosas são
essencialmente assustadas quando enfrentam novas experiências, e
sua reação pode ser violentamente agressiva. Benjamin diz que uma
reação de rancor em criança está sempre associada com um estado de
ansiedade ou de insegurança. Se ela tem temperamento instável, e,
no lar, é recompensada, as explosões podem tornar-se um
hábito. Quando essa criança se comporta do mesmo modo no
consultório, o dentista deve de grande temor ou uma dessas
explosões. É claro que se ela tivesse realmente temerosa, o
dentista pode ser compreensivo e trabalhar lentamente. Se, porém,
está apenas demonstrando um acesso de mau humor, o dentista
precisa demonstrar sua autoridade e dominar a situação.
RESISTÊNCIA. A resistência é
uma das manifestações de ansiedade ou insegurança, e a criança se
rebela de fato contra o meio ambiente. Ela pode exibir explosões
temperamentais, ou dar cabeçadas, ou mesmo vomitar, quando não
quiser obedecer. Outra manifestação pode ser uma espécie de
retorno, em que a criança parece involuir. Ela volta a molhar a
cama, deixar de falar claramente, ou readquire hábitos infantis em
suas brincadeiras. Retrair-se é ainda uma manifestação de
ansiedade, na qual a criança se recusa a participar de jogos e não
fala com estranhos e nem mesmo com conhecidos. O dentista encontra
dificuldade para se comunicar com esse tipo de paciente; a criança
magoa-se facilmente e chora a toda hora.
Em não seja da sua responsabilidade tratar de tais condições
psicológica, será muito útil que o dentista saiba reconhecê-las,
já que a reação infantil o consultório dentário é removida por
experiência anteriores, educação no lar. e no meio ambiente.
Wright e Alpern estudaram várias influências no comportamento de
crianças cooperadoras na primeira consulta. Eles concluíram que as
chances para um comportamento negativo aumentam quando a criança
imagina ter um problema dentário, constatando que a criança
consciente do seu problema dentário pode esperar sua consulta com
um grau maior de apreensão do que uma que não percebe o fato. O
receio pode ter sido transmitido a ela pela mãe, principalmente se
esta foi a primeira a observar o problema que exigia
tratamento dentário.
TIMIDEZ. A timidez, outra reação ocasionalmente
observada, em particular no caso da primeira consulta, pode
relacionar-se com uma socialização limitada da criança. A criança
tímida precisa passar por um período de encorajamento. Neste
exemplo pode ser útil que esta criança tímida esteja acompanhada,
na sala de tratamento, por outra criança, esta uma paciente bem
adaptada. A tímida necessita ganhar confiança em si mesma e no
dentista. Por outro lado, a timidez pode refletir uma tensão
resultante do fato de os pais exigirem muito dela ou mesmo de a
superprotegerem.