Doença infecciosa causada pelo Herpes vírus hominis tipo 1 (hep-1). Trata-se de uma virose muito difundida, pois embora menos de 20% dos portadores do agente infeccioso manifestem clinicamente a doença, o rasteamento da infecção pelo herpes vírus, através da pesquisa de anticorpos específicos, mostra que mais de 70% dos indivíduos apresentam-se infectados.

 

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ARTIGOS > HERPES SIMPLES

    Doença infecciosa causada pelo Herpes vírus hominis tipo 1 (hep-1). Trata-se de uma virose muito difundida, pois embora menos de 20% dos portadores do agente infeccioso manifestem clinicamente a doença, o rasteamento da infecção pelo herpes vírus, através da pesquisa de anticorpos específicos, mostra que mais de 70% dos indivíduos apresentam-se infectados.

        Da evolução clínica  via de regra benigna pode, entretanto, agravar-se tornando-se fatal em recém-nascidos e lactentes. Em pacientes adultos esta evolução é excepcional, sendo encontrada apenas nos casos de deficiência imunológica, como ocorre em portadores de hemopatias graves (linfomas, leucemias etc.).

      O quadro clínico é variável conforme se trate da primo-infecção herpética ou do herpes recorrente.

PRIMO-INFECÇÃO HERPÉTICA

      Com a perda dos anticorpos maternos ao Hep-1, o recém-nascido ou lactente torna-se infectado mediante exposição ao vírus. Após o contágio a infecção pode permanecer subclínica, com desenvolvimento de anticorpos específicos, ou pode evoluir, originando os vários quadros clínicos  característicos da primo-infecção herpética, tais como:

  • Gengivoestomatite  herpética aguda

  • Vulvovaginite aguda

  • Queratoconjuntivite aguda

  • Eczema herpético

  • Herpes de inoculação

  • Herpes disseminado

      Destes, o mais comum é a gengivoestomatite herpética aguda.

      Com a instalação da primo-infecção herpética desenvolve-se resposta anticorpogenética específica, que confere imunidade ao hospedeiro contra ulterior manifestação do herpes primário. A partir da primo-infecção herpética desenvolve-se o herpes recorrente ou secundário, cuja manifestação via de regra fica confinada aos lábios.

Herpes labial

GENGIVOESTOMATITE HERPÉTICA AGUDA

      É uma virose freqüentemente observada em crianças e mais raramente em adultos jovens. Transmite-se por contato direto ou indireto a partir de doentes e portadores. A infecciosidade parece não ser alta, embora pequenos surtos familiares possam ser observados. Predomina no grupo etário compreendido entre um e sete anos.

     O quadro clínico da gengivoestomatite herpética aguda manifesta-se após o período de incubação de 4 a 5 dias por sintomas  constitucionais caracterizados por febre, irritabilidade, astenia e vômitos. Nas membranas mucosas orofaringeanas intensamente eritematosas surgem vesículas claras que se propagam comumente aos lábios, comissuras labiais, gengivas, palato e região mentoniana. Estas vesículas, que podem surgir em quaisquer pontos das mucosas da região orofaringeana, ulceram-se subseqüentemente se infectam (contaminação bacteriana), produzindo uma secreção turva e viscosa e tornando fétido o hálito da criança.

     As úlceras são pequenas e esbranquiçadas. A secreção salivar é intensa (sialorréia), produzindo uma saliva espessa que escorre como baba pelo queixo em virtude da dificuldade de deglutição. Adenopatia submandibular dolorosa é freqüentemente observada.

     As gengivas, intensamente eritematosas, mostram-se tumefeitas (hipertrofia por edema) e sangram com muita facilidade. Tanto a gengiva marginal como a inserida Mostram-se envolvidas pelo processo inflamatório agudo (gengivite aguda).

     A gengivitite aguda é sempre mais intensa nas crianças do que nos adultos jovens. /a dor, geralmente muito intensa, prejudicam a alimentação do paciente e dificulta os exames clínicos estomatológicos. A necrose da papila gengival não é um evento comum na gengivoestomatite herpética aguda, o que auxilia o diagnóstico diferencial com a gengivite necrosante aguda (gengivite de Vicent). Mais raramente a gengivite de Vicent pode-se sobrepor à gengivoestomatite herpética aguda ou mesmo preceder a infecção vira. A presença de vesículas e úlceras espalhadas nas mucosas da cavidade bucal permite o diagnostico diferencial correto.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

      O diagnóstico diferencial deve ser feito com a herpangina, a estomatite aftosa e o eritema multiforme. A herpagina geralmente se circunscreve porções posteriores da cavidade bucal e a  orofaringe deixando intacta a mucosa gengival. A estomatite recorrente não envolve a gengiva e se manifesta clinicamente por úlceras e não  por vesiculas. Quanto ao eritema multiforme, trata-se de uma doença vesiculosa aguda acompanhada de manifestação sistêmica. As vesículas são encontradas principalmente nos lábios, embora possam ser também encontradas nas membranas mucosas da orofaringe. A gengiva mostra-se pouco envolvida.    

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