Doenças passíveis de transmissão durante o tratamento odontológico
Publicado por Dra. Socorro Azevedo e arquivado em GeralHerpes
O herpes simples é uma doença infecciosa aguda que,à exceção das infecções viróticas respiratórias, é a virose humana mais comum. Os vírus do herpes simples (HVS; ou HSH, em literatura inglesa) apresentam dois sorotipos distintos: VHS-1 e VHS2. O primeiro é o principal responsável pelas lesões que acometem a oroface; e o segundo envolve, principalmente, as lesões genitais. O período de incubação é de 1 a 26 dias.
VHS é transmitido com maior freqüência no contato direto com lesões ou objetos contaminados. A disseminação assintomática do vírus através de fluidos orgânicos (sangue, saliva, secreção vaginal) ou das lesões crostosas constitui uma importante forma de transmissão. O vírus já foi identificado em saliva de pacientes durante a evolução da doença, podendo ser transmitido através de perdigotos. Ressalta-se ainda, a transmissão através das lesões clinicamente ativas.
O VHS pode infectar pelo e mucosa. Também provocar infecção ocular (herpes oftálmico), através de aerossóis ou alto inoculação. Apesar de não penetrar na pele intacta, há relatos na literatura de profissionais de odontologia que desenvolveram lesões herpéticas em dedos das mãos (panarício herpético); observe-se que estes profissionais não faziam uso primeiro de luvas.
O vírus apresenta uma sobrevida extracorpórea de duas horas na pele; de quatro horas em superfícies plástica; de até horas em tecido; de 72 horas horas em gaze seca; e 45 minutos em peça de mão.
Avaliando o risco /benefício, os procedimentos odontológicos em pacientes herpéticos devem ser adiados sempre que possível, até que a cura clínica da infecção se estabeleça.
Varicela (catapora)
É uma infecção causada pelo vírus Varicella Zoster (VVZ). Seu período de incubação varia de 10 a 20 dias. A transmissão da infecção pode ocorrer desde dois dias antes do início da erupção. Em pessoas imunodeficientes, a transmissão pode ocorrer durante o período de erupções da lesões. É altamente contagiosa, sendo facilmente transmitida por inalação de fômites ou contato direto com a pele. O vírus por ser sensíveis à luz solar e ao calor, apresenta uma pequena sobrevida extracorpórea.
À recorrência da infecção pelo VVZ acometendo o indivíduo adulto denomina-se herpes zoster. No indivíduo imunodeficiente, a gravidade do quadro aumenta quando surgem vesículas dolorosas. A infecção pode acometer o sistema nervoso central, causar paralisias periféricas, e ainda ocasionar lesões oftálmicas.
Citomegalovírus (CMV)
A transmissão do citomegalovírus - CMV pode ocorrer diretamente, através do contato íntimo com um excretor de CMV; ou através de contato com excreções ou secreções contaminadas, essencialmente saliva ou urina. Seu período de incubação para transmissão pessoa-a-pessoa não é conhecido. O vírus tem uma sobrevida extracorpórea de oito horas, em superfície não absorvente.
Apesar da infecção ser usualmente (90% dos casos), ela pode levar a uma doença linfática semelhante à mononucleose, em crianças e adultos. Ressalta-se que a preocupação é maior quando a infecção ocorre no período gestacional, posto que estudos indicam ser ela responsável pela morte de 0,1% dos recém-nascidas. Estudos realizados com filhos de profissionais de saúde indicam um maior número de congênitos quando comparados com grupo controle.
Hepatite virótica
Trata-se de um processo infeccioso primário envolvendo o fígado. Atualmente, são sete os tipos de vírus identificados: A, B, C, D, E, F e G. As hepatites F e G são as mais recentes da família da hepatite virótica, sendo transmitida por via parenteral. Seu impacto para a odontologia ainda não está esclarecido, sendo necessárias investigações futuras antes que se formulem recomendações para a prática odontológica.
A sobrevida extracorpórea para os diferentes vírus ainda não está vem definida. Sabe-se, entretanto, que para o vírus da hepatite A (VHA), ela pode ser de meses, em água e para o vírus da hepatite B, semanas, a 25ºC.
No que tange à odontologia, o vírus da hepatite B (VHB; ou BHV, na literatura inglesa) vem sendo considerado o de maior risco para a equipe de saúde bucal. O sangue é a fonte principal da infecção ocupacional. A presença do VHB na saliva e no fluido crevicular não deve ser menosprezada.
O risco de infecção ocupacional é maior para os profissionais de especialidades cirúrgicas que para os clínicos.O pessoal auxiliar odontológico (THD, ACD, TPD) também está sob maior risco de contrair o VHB, se comparado à população geral.
A transmissão do VHB através de aerossóis e superfície contaminada não tem demonstrado relevância epidemiológica. No entanto, as características próprias ao trabalho odontológico, com freqüentes relatos de não-adoção de normas universais de biossegurança e falhas nos procedimentos de esterilização, revelam uma alta probabilidade da ocorrência de infecção.
A infecção predominantemente horizontal, do VHB pode ser ainda assim esquematizada: O risco de aquisição do VHB por meio de acidente perfurocortante com sangue sabidamente contaminado, varia de 6 a 30%, sendo que uma quantidade íntima de sangue contaminado (0,0001ml) é suficiente para a transmissão do vírus. Acredita-se que, em acidente perfurocortante envolvendo sangue de fonte desconhecida, o risco aquisição do VHB é de 57 vezes superior, quando comparado ao HIV; e o risco de vir a óbito é de 1,7 vezes superior para o VHB, apesar da característica letal do HIV.
Com o surgimento da vacina contra o VHB, criou-se a expectativa de controlar esta doença; e conseqüentemente, o controle indireto da infecção pelo VHD. A vacinação tem indicação para proteger as pessoas com maior risco de adquirir a infecção, entre elas os componentes da equipe odontológica. O melhor período para a imunização é aquele anterior ao início da atividade clínica.
AIDS (infecção pelo HIV)
Tem por via principal de contágio e sexual. Além dessa, também é relevante a via parenteral, através de sangue e seus derivados. O período mediano de incubação é de 10 anos, ou seja, 50% dos indivíduos portadores do HIV vem a desenvolver a doença decorrido este tempo.O período de transmissão, entretanto, compreende desde o momento de infecção até o eventual óbito do paciente. Trata-se de um vírus frágil, cuja vida extracorpórea é curta, tendo em vista a sua fragilidade à luz solar e ao meio ambiente.
A possibilidade de transmissão durante um acidente perfurocortante com sangue sabidamente contaminado é baixa, variando de 0,05 a 0,1%; ou seja , e 1 chance em mil a 5 chance a um milhão.
Por razões já expostas anteriormente, os profissionais de odontologia apresenta uma grande resistência ao tratamento de indivíduos sabidamente positivos para o HIV. Salienta-se, ainda, os estudos que indicam que os pacientes reconhecidamente soropositivos, em sua maioria não revelam o seu estado de infecciosidade por medo de terem o seu tratamento negado. Assim, os profissionais de Odontologia devem adotar medidas de precaução-padrão durante a sua prática clínica.
Tags: Atendimento Odontológico, Procedimento odontológico
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gostei da materia ,porem fiquei com uma duvida , qdo o paciente que relata descobrir durante um tratamento odontologico o diagnostico de tubrculose deve voltar a ser atendido, ou nao eh necessario interromnper o trat odontologico?
obrigada