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DOENÇAS PASSÍVEIS DE TRANSMISSÃO DURANTE O TRATAMENTO ODONTOLÓGICO
No exercício da profissão odontológica, uma série de doenças
infecciosas pode ser transmitida para pacientes e
profissionais.Sendo assim, a equipe tem por obrigação realizar uma
prática clínica segura, adotando os preceitos atuais de controle
de infecção.
A transmissão de microrganismos pode se dar por diferentes vias:
contato direto com lesões infecciosas ou com sangue e saliva
contaminados; contato indireto, mediante transferência de
microrganismos presentes em um objeto contaminado; respingos de
sangue, saliva ou líquido de origem nasofaríngea,diretamente em
feridas de pele e mucosa; e aerolização, ou seja, transferência
de microrganismos por aerossóis.
Para que haja transmissão de microrganismos, alguns aspectos
são de vital importância: a virulência e a quantidade do
agente; o estado imunológico do hospedeiro; e a susceptibilidade
do local (solução de continuidade em pele e mucosas).
Doenças infecciosas
passíveis de transmissão
durante o tratamento
odontológico.
Sífilis
- É uma doença sexualmente transmissível (DST) em 90% dos casos,
podendo ainda ocorrer a transmissão vertical, quando é denominada
de sífilis congênita. Sua etiologia é bacteriana ( Treponema
pallidum), apresentando um período de incubação de uma a três
semanas. O período de maior risco de transmissão do microrganismo
é a faze primária e secundária da doença. A vida extracorpórea do
microrganismo é curta, sendo descrita por alguns autores como de
segundos 25ºC.

Cancro
sifilítico: O cancro sifilítico ou luético ocorre na boca como
manifestação primária da sífilis e pode ser confundido com o
câncer. Seu aspecto é nodular, com depressão ou ulceração central,
granuloso e de bordas elevadas, e ocorre com maior freqüência no
lábio e na língua, mas pode ser encontrado em qualquer região da
mucosa bucal. Pode permanecer de duas a seis semanas, após as
quais regride espontaneamente, ou seja, mesmo que não tenha sido
tratado. Provoca quase sempre linfonodomegalia residual.
Gonorréia
-
Trata-se de uma infecção causada por uma bactéria Neisseria
gonorrhoeae, sendo a doença sexualmente transmissível (DST)
mais prevalente no mundo e também a mais antiga. O risco de
transmissão durante a prática odontológica deve-se ao fato de
serem as lesões bucais uma forma comem de expressão sobrevida
extracorpórea é de poucas horas, em superfície seca.

Tuberculose-
É uma doença causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com um
período de incubação geralmente superior a 6 meses. Afeta, na
maioria das vezes, os pulmões, podendo entretanto, acometer outras
regiões, como os rins, os gânglios, os ossos, o sistema nervosos
central, a mucosa bucal, entre outros. A transmissão mais comum é
via secreção nosofaríngea eliminada pela tosse, que lança no meio
ambiente gotículas contendo o bacilo.

A partir de 1984, quando já instalada a epidemia de aids, o número
de casos de pessoas portadoras de tuberculose voltou a crescer nos
paises desenvolvidos, apresentando formas atípicas e disseminadas
da doença. Atualmente, uma grande preocupação mundial dirige-se
ás formas resistentes à terapêutica antimicrobiana. No contexto da
nossa realidade, considera-se que 30% dos pacientes com aids
adquiriram ou poderão adquirir tuberculose durante o curso da
doença.
Os indivíduos portadores podem eliminar o bacilo por tempo
superior a 15 dias, mesmo após a administração precoce da
terapêutica indicada. Conseqüentemente, o cirurgião-dentista deve
lançar mão de máscara especial durante o atendimento desses
indivíduos bacilíferos. Após essa fase, o procedimento clínico
pode ser realizado com máscara de tripla proteção.
Em se tratando de um microrganismo extremamente resistente, a vida
extracorpórea do M. tuberculosis é de várias semanas, em
superfícies secas e a uma temperatura ambiente de 25%C. O período
de maior risco de transmissão é dependente da baciloscopia
positiva.
Difteria
- Trata-se de uma infecção bacteriana causada pelo
Corynebactérium dipftheriae, de transmissão direta (contato
com pele lesionada) ou indireta (pelo ar). Seu período médio de
incubação é de um a seis dias. Sua sobrevida extracorpórea
permanece entre 12 e 16 horas após semeadura de material clínico.
O período de transmissão bacteriana é de duas semanas; ou
raramente, de 4 semanas.
Sarampo
- É uma infecção respiratória aguda causada pelo vírus do gênero
Paramyxovirus, apresentando um período de incubação de 10
dias, com variação de 7 a 18 dias. O período de transmissão
compreende de transmissão quatro a seis dias anteriores ao
surgimento das lesões cutâneas, estendendo-se até quatro dias após
o desaparecimento do exantema. A transmissão pode se dar
diretamente, através de gotículas nasofaríngeas emitidas pela
tosse e espirro, ou diretamente, através de aerossóis. A sobrevida
extracorpórea, no meio ambiente, é superior a 24 horas, sendo um
vírus lábil inativado a 56%C por minutos.
Parotidite virótica (caxumba)
- Esta infecção da infância também e causada por vírus do gênero
Paramyxovírus, sendo o seu período de incubação 12 a 25
dias. A fase de transmissão ocorre por um período compreendido
entre sete dias anteriores ao estabelecimento dos sinais clínicos
da doença, nove dias após o surgimento dos sintomas. A transmissão
dá-se diretamente, por contato com gotículas de saliva
contaminada; ou indiretamente, através de fômites. O vírus perde a
infectividade quando submetido à temperatura de 55-60ºC durante 10
minutos; mas pode-se conservar viável em ambiente com temperatura
de 4ºC, durante vários dias.
Rubéola - Trata-se
de uma infecção respiratória amena associada a exantema, sendo
causada pelo vírus Togavírus. Seu período de incubação
varia de 14 a 21 dias. A fase de transmissão compreende de cinco a
sete dias após início da erupção. O vírus é inativo a 56ºC por 30
minutos, sendo que, a 4ºC, permanece viável por 14 horas.
A maior preocupação sobre essa infecção virótica refere-se ao
acontecimento de gestantes, tendo em vista os possíveis danos
causado ao feto via transmissão transplacentária. Quanto mais
precoce for o contato com o vírus durante a gravidez, maiores
poderão ser as alterações causadas. Desse modo, a fase
crítica de contato compreende as primeiras 12 semanas
gestacionais. Os danos causados ao ser em desenvolvimento podem se
voltar para problemas otológicos, cardíacos, de má formação (fenda
oro-faciais e membros) e aborto espontâneo. Quando o contato
ocorrem em fases tardias da gestação, as alterações se resumem a
hepatite, trombocitopenia, linfadenopatia e retardo mental
progressivo.
Influenza (gripe)-
É uma das infecções viróticas mais comuns, sendo causada pela
Ortomyxovirus, seu período de incubação é curto ( um a cinco
dias) e o período de maior transmissibilidade acontece durante os
três primeiros dias da doença. O vírus sobrevive em superfície não
absorvente por 8-24 horas; em tecido ou papel, por 8-12 horas.
A prática odontológica coloca em risco os profissionais, tendo em
vista a facilidade de transmissão do vírus e o contato
estabelecido durante o tratamento odontológico. Estudos têm
demonstrado que estudantes de odontologia apresentam uma maior
incidência da infecção quando comparados com estudantes de
medicina e farmácia. E mais; técnicos em higiene dental (THD), ao
serem comparados com nutricionistas, apresentam uma maior
incidência em período de 1 ano; e, neste período os THD não
apresentaram crescimento de absenteísmo no trabalho, sugerindo um
maior risco de transmissão para pacientes. Finalmente, tem sido
relatada uma forte correlação entre a infecção acometendo os
pacientes e os cirurgiões-dentistas que os tratam.
Herpes - O herpes
simples é uma doença infecciosa aguda que,à exceção das infecções
viróticas respiratórias, é a virose humana mais comum. Os vírus do
herpes simples (HVS; ou HSH, em literatura inglesa) apresentam
dois sorotipos distintos: VHS-1 e VHS2. O primeiro é o principal
responsável pelas lesões que acometem a oroface; e o segundo
envolve, principalmente, as lesões genitais. O período de
incubação é de 1 a 26 dias.

VHS é transmitido com maior freqüência no contato direto com
lesões ou objetos contaminados. A disseminação assintomática do
vírus através de fluidos orgânicos (sangue, saliva, secreção
vaginal) ou das lesões crostosas constitui uma importante forma de
transmissão. O vírus já foi identificado em saliva de pacientes
durante a evolução da doença, podendo ser transmitido através de
perdigotos. Ressalta-se ainda, a transmissão através das lesões
clinicamente ativas.
O VHS pode infectar pelo e mucosa. Também provocar infecção ocular
(herpes oftálmico), através de aerossóis ou alto inoculação.
Apesar de não penetrar na pele intacta, há relatos na literatura
de profissionais de odontologia que desenvolveram lesões
herpéticas em dedos das mãos (panarício herpético); observe-se que
estes profissionais não faziam uso primeiro de luvas.
O vírus apresenta uma sobrevida extracorpórea de duas horas na
pele; de quatro horas em superfícies plástica; de até horas em
tecido; de 72 horas horas em gaze seca; e 45 minutos em peça de
mão.
Avaliando o risco /benefício, os procedimentos odontológicos em
pacientes herpéticos devem ser adiados sempre que possível, até
que a cura clínica da infecção se estabeleça.
Varicela (catapora)
- É uma infecção causada pelo vírus Varicella Zoster (VVZ).
Seu período de incubação varia de 10 a 20 dias. A transmissão da
infecção pode ocorrer desde dois dias antes do início da erupção.
Em pessoas imunodeficientes, a transmissão pode ocorrer durante o
período de erupções da lesões. É altamente contagiosa, sendo
facilmente transmitida por inalação de fômites ou contato direto
com a pele. O vírus por ser sensíveis à luz solar e ao calor,
apresenta uma pequena sobrevida extracorpórea.
À recorrência da infecção pelo VVZ acometendo o indivíduo adulto
denomina-se herpes zoster. No indivíduo imunodeficiente, a
gravidade do quadro aumenta quando surgem vesículas dolorosas. A
infecção pode acometer o sistema nervoso central, causar
paralisias periféricas, e ainda ocasionar lesões oftálmicas.
Citomegalovírus (CMV)
- A transmissão do citomegalovírus - CMV pode ocorrer diretamente,
através do contato íntimo com um excretor de CMV; ou através de
contato com excreções ou secreções contaminadas, essencialmente
saliva ou urina. Seu período de incubação para transmissão
pessoa-a-pessoa não é conhecido. O vírus tem uma sobrevida
extracorpórea de oito horas, em superfície não absorvente.
Apesar da infecção ser usualmente (90% dos casos), ela pode levar
a uma doença linfática semelhante à mononucleose, em crianças e
adultos. Ressalta-se que a preocupação é maior quando a infecção
ocorre no período gestacional, posto que estudos indicam ser ela
responsável pela morte de 0,1% dos recém-nascidas. Estudos
realizados com filhos de profissionais de saúde indicam um maior
número de congênitos quando comparados com grupo controle.
Hepatite virótica
- Trata-se de um processo infeccioso primário envolvendo o fígado.
Atualmente, são sete os tipos de vírus identificados: A,
B,C,D,E,F, e G. As hepatites F e G são as mais recentes da família
da hepatite virótica, sendo transmitida por via parenteral. Seu
impacto para a odontologia ainda não está esclarecido, sendo
necessárias investigações futuras antes que se formulem
recomendações para a prática odontológica.
A sobrevida extracorpórea para os diferentes vírus ainda não está
vem definida. Sabe-se, entretanto, que para o vírus da hepatite A
(VHA), ela pode ser de meses, em água/ e para o vírus da hepatite
B, semanas, a 25ºC.
No que tange à odontologia, o vírus da hepatite B (VHB; ou BHV, na
literatura inglesa) vem sendo considerado o de maior risco para a
equipe de saúde bucal. O sangue é a fonte principal da infecção
ocupacional. A presença do VHB na saliva e no fluido crevicular
não deve ser menosprezada.
O risco de infecção ocupacional é maior para os profissionais de
especialidades cirúrgicas que para os clínicos.O pessoal auxiliar
odontológico (THD, ACD, TPD) também está sob maior risco de
contrair o VHB, se comparado à população geral.
A transmissão do VHB através de aerossóis e superfície contaminada
não tem demonstrado relevância epidemiológica. No entanto, as
características próprias ao trabalho odontológico, com freqüentes
relatos de não-adoção de normas universais de biossegurança e
falhas nos procedimentos de esterilização, revelam uma alta
probabilidade da ocorrência de infecção.
A infecção predominantemente horizontal, do VHB pode ser
ainda assim esquematizada: O risco de aquisição do VHB por meio de
acidente perfurocortante com sangue sabidamente contaminado, varia
de 6 a 30%, sendo que uma quantidade íntima de sangue contaminado
(0,0001ml) é suficiente para a transmissão do vírus. Acredita-se
que, em acidente perfurocortante envolvendo sangue de fonte
desconhecida, o risco aquisição do VHB é de 57 vezes superior,
quando comparado ao HIV; e o risco de vir a óbito é de 1,7 vezes
superior para o VHB, apesar da característica letal do HIV.
Com o surgimento da vacina contra o VHB, criou-se a expectativa de
controlar esta doença; e conseqüentemente, o controle indireto da
infecção pelo VHD. A vacinação tem indicação para proteger as
pessoas com maior risco de adquirir a infecção, entre elas os
componentes da equipe odontológica. O melhor período para a
imunização é aquele anterior ao início da atividade clínica.
Aids (infecção pelo HIV)
- tem por via principal de contágio e sexual. Além dessa, também é
relevante a via parenteral, através de sangue e seus derivados. O
período mediano de incubação é de 10 anos, ou seja, 50% dos
indivíduos portadores do HIV vem a desenvolver a doença decorrido
este tempo.O período de transmissão, entretanto, compreende desde
o momento de infecção até o eventual óbito do paciente. Trata-se
de um vírus frágil, cuja vida extracorpórea é curta, tendo em
vista a sua fragilidade à luz solar e ao meio ambiente.

A possibilidade de transmissão durante um acidente perfurocortante
com sangue sabidamente contaminado é baixa, variando de 0,05 a
0,1%; ou seja , e 1 chance em mil a 5 chance a um milhão.
Por razões já expostas anteriormente, os profissionais de
odontologia apresenta uma grande resistência ao tratamento de
indivíduos sabidamente positivos para o HIV. Salienta-se, ainda,
os estudos que indicam que os pacientes reconhecidamente
soropositivos, em sua maioria não revelam o seu estado de
infecciosidade por medo de terem o seu tratamento negado. Assim,
os profissionais de Odontologia devem adotar medidas de
precaução-padrão durante a sua prática clínica.
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