Os cistos da maxila, mandíbula e regiões periorais compreendem diversas entidades sob os pontos de vista da histogênese, taxas relacionadas com a freqüência , comportamento e tratamento.

    A imensa maioria dos cistos nesta região anatômica é encontrada no interior da maxila e mandíbula e, geralmente, eles são de origem  inflamatória.É assintomático. A parestesia do lábio inferior é devida à compressão do nervo alveolar inferior. Pode ter etiologia traumática. Radiograficamente, pode ser vista uma zona radiolúcida circundada por um halo radiopaco.

    Cisto é uma cavidade patológica revestida por epitélio que pode conter fluido ou restos celulares. Contudo a maioria dos cistos nesta região seja de cistos verdadeiros (possuem um forro epitelial), algumas entidades designadas como tal podem deixar de se apresentar revestidas por epitélio e, portanto, não satisfazem o critério de um cisto verdadeiro. O sistema de classificação empregado aqui responde pelos cistos verdadeiros, com uma categoria adicional de cistos não-epiteliais designados como pseudocistos devido à  ausência do requisito do revestimento.

Classificação

  • Cistos Odontogênicos
  • Cistos não Odontogênicos

Cistos Odontogênicos

Cistos radicular (periapical)

Os cistos radiculares(refere-se à raiz) são, de  longe, os mais comuns das regiões oral e periodontal. Este cisto tem sido designado também como disto periodontal apical ou cisto periapical.

Etiologia e patogênese

    O cisto radicular ou periapical surge  a partir de um granuloma periapical preexistente. Um granuloma periapical representa um foco distinto de tecido de granulação, cronicamente inflamado, no osso do ápice de um dente. Desenvolve-se em resposta a morte pulpar e necrose tecidual posterior. A formação do cisto se processa à medida que os elementos epiteliais proliferam, formando por fim um revestimento.

Características clínicas

    Os cistos radiculares e os cistos residuais a eles relacionados formam o grupo maior na categoria de cistos dos maxilares. Constituem aproximadamente metade a três quartos de todos os cistos na maioria das grandes séries. O pico de distribuição por idade vai da terceira à sexta década da vida. Interessante é a raridade relativa do cisto radicular na primeira década, ainda que cáries e dentes sem vitalidade tem sejam bem freqüentes neste grupo etário. Uma maioria  de casos tem sido notada em homens. A maioria dos cistos se localiza na maxila, especialmente na região anterior.

    A maior parte dos cistos é assintomática e com freqüência eles são descobertos acidentalmente durante exame radiográfico de rotina. A maioria dos cistos não produz expansão óssea. Quando está presente. tende a ocorrer mais  pelo lado vestibular. Por definição é necessária a presença de uma polpa sem vitalidade para que se faça o diagnóstico clínico de um cisto radicular.

    Radiograficamente, não há diferenças claras entre um cisto radicular e um granuloma periapical. A radiotransparência associada com um cisto radicular é geralmente circular ou ovóide, com uma margem radiopaca estreita contíngua com a lâmina dura do dente envolvido. Este componente radiopaco pode não aparecer quando o cisto está aumentando ativamente. O cisto varia de diâmetro, desde 5mm ou menos até vários centímetros, muito embora a maioria mostre de 1.5cm. Nos cistos de longa duração, pode ser notada a reabsorção radicular do dente implicado, e, ocasionalmente, dos dentes vizinhos.

Diagnóstico diferencial

    Radiograficamente, o diagnóstico diferencial do cisto radicular deve incluir o granuloma periapical. Em áreas de patologia periapical previamente tratadas, deve ser considerado também um defeito cirúrgico ou cicatriz periapical. Em áreas anteriores inferiores, uma radiotransparência periapical deve ser distinguidas do cisto ósseo traumático. Nos casos posteriores, deve-se fazer o teste de vitalidade dos dentes vizinhos com pulp test. Ocasionalmente, lesões de células gigantes, doenças metásticas e tumores ósseos primários podem imitar um cisto radicular.

Tratamento e prognóstico

     O cisto radicular pode ser tratado com pleno sucesso por meio da extração do dente desvitalizado associado e curetagem do epitélio na zona da patologia apical. Alternativamente, o tratamento endodôntico por ser executado, em associação com uma apicetomia, para permitir a curetagem direta da lesão cística, Nos casos de cistos radiculares excessivamente grandes a exteriorização ou marsupialização tem-se  provado benéfica. Este procedimento de descompressão irá geralmente permitir a redução da cavidade cística; este pode então ser seguido de uma enucleação mais econômica do cisto e extração do dente  desvitalizado.

    Com a remoção adequada do cisto, não se espera recidiva. Com a remoção incompleta, todavia, pode se desenvolver um cisto residual meses a anos do tratamento inicial. Caso ou o cisto residual ou o cisto radicular original permaneçam se tratamento, crescimento continuado pode causar destruição significante e enfraquecimento da mandíbula ou maxila.

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