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As lesões da mucosa jugal e da gengiva representam, cada uma cerca
de 10% dos carcinomas espinocelulares da boca. O grupo afetado
está representado pelos homens na sétima década da vida.
O tabaco sem fumaça é um fator etiológico importante da
transformação maligna nessas regiões. O aspecto clínico varia de
uma placa branca a uma úlcera que não cicatriza e a uma lesão
exofítica. Nesta última categoria se encontra o carcinoma
verrucoso.
Este súbito do carcinoma espinocelular, associado mais
freqüentemente ao uso do tabaco sem fumaça, apresenta-se
como uma massa de base larga, semelhante a uma verruga. É de
crescimento lento, muito bem diferenciado, raramente produz
metástase, e tem prognóstico muito bom.

Os carcinomas da gengiva e da
mucosa alveolar são relativamente mais raros que os da língua e
assoalho da boca. Entre nós a freqüência dos carcinomas gengivas é
também rara, sendo a incidência na gengiva inferior ligeiramente
maior que a da gengiva superior. Em outros países as estatísticas
acusam uma freqüência bem maior para a gengiva inferior. Na
generalidade dos casos predomina no elemento masculino, ocorrendo
em média acima de 60 anos. Pode ocorrer em qualquer região do
rebordo alveolar de ambos os maxilares, mas são mais comumente
vistos na região de pré-molares e molares da mandíbula.
Os fatores etiológicos mais importantes são representados pelo
hábito de mascar tabaco, associado ou não a superfície de aspecto
granuloso, A lesão inicial pode ocorrer também, embora menos
freqüentemente, como uma pequena úlcera rebelde ao tratamento. Na
maioria das vezes se origina ou está associada a placas
leucoplásicas. As lesões avançadas são predominantemente
exofíticas e se manifestam principalmente como lesões ulceradas ou
como lesões verrucosas.
As lesões ulceradas ocorrem sob duas modalidades:
-
A ulcerada superficial
-
E a úlcero-vegerante.
O tumor freqüentemente invade o osso
alveolar causando amolecimento dentário.
Do ponto de vista histológico, os carcinomas gengivais são na
maioria das vezes do tipo espino-celular bem diferenciado. A
metástase tanto dos carcinomas da gengiva superior com inferior se
verifica principalmente nos linfonodos submandibulares. O
prognóstico é ligeiramente melhor que o dos carcinomas da língua e
similar aos do assoalho da boca. Muito embora a avaliação do
prognóstico deva ser feita em função da extensão da lesão
primária, do grau de envolvimento ósseo e da presença de
metástase. Os tumores localizados na gengiva inferior são de
prognóstico mais reservado que os localizados na gengiva superior,
uma vez que desenvolvem metástase com mais freqüência,
principalmente quando bilaterais.
Carcinoma da mucosa vestibular - A freqüência dos
carcinomas da mucosa vestibular varia consideravelmente nos
diversos países, sobretudo com relação aos hábitos da população. A
incidência é elevada nos países em que a população se dá ao hábito
de mascar tabaco misturado com substância aromáticas, como na
Índia, por exemplo. Nestas regiões a freqüência entre os sexos se
equipara, ao passo que nos demais países a incidência predomina
significativamente nos homens. Manifesta-se principalmente em
pessoas de idade avançada. Nestas fases iniciais os carcinomas da
mucosa vestibular se apresentam principalmente como área
leucoplásica ou como placa eritematosa irregular ou, ainda, como
crescimento papilífero de coloração branca ou avermelhada. Na
maioria das vezes, os carcinomas da mucosa vestibular como os da
língua estão associados a placas leucoplásicas. As lesões
avançadas enquadram-se nos tipos clássicos de crescimento
exofítico ou endofítico.
As lesões exofíticas compreendem a úlcero-vegetante e a verrugosa.
A endofítica está representada pela lesão úlcero-infiltrativa.
As lesões úlcero-vegetantes originam-se, via de regra, sobre
placas leucoplásicas na altura dos pré-molares ao nível da linha
de oclusão. Mostram o aspecto de uma vegetação papilífera ou
verrucóide de coloração branca devido à intensa cornificação que
apresentam. Em alguns casos, o aspecto principal é o de vegetação
carnosas avermelhadas salpicadas de áreas brancas de natureza
leucoplásica.
As lesões verrucosas pertencem a um tipo de carcinoma diferente do
ponto de vista clínico e histológico que, na maioria das vezes, se
desenvolve na mucosa vestibular. Trata-se de uma variedade de
carcinoma espino-celular de baixo grau de malignidade conhecido
por carcinoma verrugoso. Este tumor é de crescimento lento e
inteiramente exofítico, lembrando uma couve-flor na aparência.
As lesões úlcero-infiltrativas próprias do crescimento endofítico
são as de pior prognóstico. Manifestam-se sob o aspecto de úlceras
crateriformes circundadas por zonas de endurecimento. Estas lesões
ulceradas alcançam rapidamente os planos teciduais profundos,
ultrapassam os limites do músculo bucinador e atingem o tegumento
cutâneo. Em alguns casos observa-se ampla comunicação entre a
cavidade bucal e o meio exterior, sendo a hemiface quase que
totalmente destruída, tornando muitas vezes difícil estabelecer o
ponto de erigem do tumor, isto é, se na mucosa ou no tegumento da
bochecha.
A grande maioria dos carcinomas da mucosa vestibular varia de
moderamente a bem diferenciados. Os carcinomas indiferenciados são
mais raros. Excetuando-se os tumores anaplásicos, os demais dão
metástases tardiamente, e estas são observadas principalmente nos
lifonodos submandibulares. Os tumores localizados no terço
posterior da mucosa bucal metastatizam-se já de início nos
lifonodos cervicais profundos. O prognóstico das lesões exofíticas
depende do seu estádio de desenvolvimento. Os tumores localizados
no terço posterior e os de crescimento úlcero-infiltrativo são de
prognóstico mais reservados.
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