Candidíase é um termo que inclui um grupo de condições mucosas e cutâneas com um agente etiológico comum do gênero CANDIDA de fungos. É a infecção micótica bucal mais comum, embora os índices de freqüência sejam difíceis de determinar por causa da prevalência do microrganismo causal numa grande proporção da população. A relação entre o comensalismo e a patogenicidade é complexa, baseada exclusivamente em fatores locais e sistêmicos, em outros. As manifestações bucais podem ser agudas ou crônicas, com diferentes graus de gravidade. Foram criados numerosos sistemas de classificação, indicando a complexidade desta condição, os muitos modos de apresentação clínica, e a inter-relação com fatores locais e sistêmicos. Além disso, foi relatada uma relação entre um subtipo conhecido como leucoplasia por CANDIDA e o carcinoma espinocelular.

Etiologia e patogênese

    A candidíase  é causada pela CANDIDA ALBICANS e pelas espécies relacionadas, porém muito menos comuns, C. parapsiloses, C. tropicalis, C. glabrata. C. pseudotropicalis e C. guilliermondi.

    A Candida albicans é  um comensal  residente na cavidade bucal na maioria das pessoas sadias. A transformação ou passagem deste microrganismo de comensal para patógeno está relacionada com fatores locais e sistêmicos de reprodução experimental extremamente difícil. O organismo é uma levedura unicelular da família das Cryptococcaceae que pode existir sob três formas biológicas e morfológicas distintas:

  • a forma vegetativa ou levedura, de células ovais (blastóporo);
  • a forma celular alongada (pseudo-hifas);
  • e a forma de clamidósporo, que consiste em corpos celulares, com uma parede grossa refrátil..

    As pseudo-hifas existem no estado de comensal. A persistência deste organismo em seu estado vegetativo é observada na boca (e na vagina), afirmando-se que está relacionada à sua associação simbiôtica com o LACTOBACILLUS ACIDOPHILUS. Conforme evidenciado pela sua freqüência na população geral, a C. albicans tem patogenicidade fraca, refletindo assim a necessidade de fatores predisponentes locais e sistêmicos.

    Geralmente, a infecção por este organismo é superficial, afetando as partes externas da mucosa ou da pele envolvida. Nos pacientes gravemente debilitados e imunocomprometidos, como os aidéticos, a infecção pode estender-se ao trato digestivo (esofagite p candida), ao trato broncopulmonar ou a outros órgãos.

cadidiase

Características clínicas

    As manifestações bucais da candidíase são variáveis, sendo observadas numerosas formas. A forma mais comum é a pseudomembranosa, conhecida como sapinho. Os extremos da infância e da velhice caracterizam dois grupos afetados com freqüência. As estimativas da freqüência vão até 5% nos recém-nascidos, 5% nos cancerosos e 10% nos pacientes idosos debilitados vivendo em instituições. Esta infecção é comum em paciente tratado pela radiação ou quimioterapia da leucemia ou de tumores sólidos, afetando até 50% daqueles do primeiro grupo e 70% daqueles do último grupo.

    A candidíase também tem sido encontrada em pacientes com AIDS e nos que se encontram em outros grupos de alto risco.

    Caracteristicamente as lesões bucais são placas ou nódulos brancos, entre moles e gelatinosos, que crescem dentrifugamente e confluem. As placas são compostas por fungos, resíduos ceratóticos, células inflamatórias, células epiteliais descamadas bactérias e fibrina.

    A remoção das placas ou das  pseudomembranas, com uma compressa de gazes ou um cotonete, deixará uma superfície eritematosa, erosada, ou ulcerada, freqüentemente sensível. Embora as lesões do sapinho possam desenvolver-se em qualquer localização, os pontos preferidos incluem a mucosa jugal, os fundos-de-saco vestibulares a orofaringe e as partes laterais do dorso da língua.

    Na maioria dos casos em que a pseudomembrana não foi perturbada, os sintomas associados são insignificantes. Nos casos graves, os pacientes podem queixar-se de sensibilidade, ardência e disfagia.

Diagnóstico diferencial

     As infecções pela CANDIDA devem ser diferenciadas de várias entidades, incluindo a escara associada com as queimaduras químicas, as infecções e colonizações bacterianos superficiais, a estomatite gangrenosa, as ulcerações traumáticas, e as placas mucosas da sífilis. Quando estão presentes lesões vermelhas isoladas da candidíase atrófica aguda, elas devem ser diferenciadas das rações medicamentosas e das queimaduras. Além disso, essas lesões vermelhas posem assemelhar-se ao líquen erosivo, ao LED e aos casos em início ou brandos do EM.

Tratamento e prognóstico

     A maioria das infecções por C. Albicans pode ser tratada apenas por aplicação de nistatina. No caso da candidíase relacionada com dentadura, o creme de nistatina pode ser usado no tecido afetado e na própria dentadura, para proporcionar contato prolongado e eliminar os microrganismo no material da dentadura.

     A suspensão dos antibióticos de largo aspectro usualmente podem produzir resolução da infecção bucal pela levedura.No caso de uso crônico  de agentes oxogenantes como o peróxido de hidrogênio, a suspensão dessas substâncias permitirá o restabelecimento da flora bacteriana normal da boca e o alívio dos sintomas. O ciotrimazol pode ser administrado de modo conveniente sob a forma de pastilhas. As aplicações tópicas de nistatina ou de clotrimazol devem ser continuadas por aproximadamente 1 semana depois de desaparecimento das manifestações clínicas d doença.

     Nos casos de candidíase mucocutânea crônica, ou de candidíase bucal associada a imunossupressão, os agentes tópicos podem não ser eficazes. Em tais circunstâncias, poderá ser necessária a administração de medicamentos como a anfoericina B, o cetoconazol e a flucitosina. No entanto, é preciso cautela, pois a flucitosina e o cetoconazol podem ser hepototóxicos e, também, deprimir a hematopoese.

Prognóstico

     O prognóstico da candidíase aguda e da maioria das formas crônicas é excelente. Todavia, o defeito subjacente, na maioria das candidíases mucocutâneas, atua contra a cura, embora possam ser notadas melhoras intermitentes após o uso de agentes antifúngicos sistémicos.




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3 comentários para “Candidíase”
  1. Bom dia!

    Gostaria de saber se a pessoa que sempre tem candida albicans (na vagina), terá problema para engravidar?

    Desde já, muito obrigada.

    Carla, 31 anos

  2. Gostaria de saber se a candidiase bucal tem relação com o sexo oral?Ou seja,se uma pessoa com candidiase vaginal,por meio de sexo oral,passa ao parceiro?Obrigada
    Ivani 39 anos

  3. É POSSIVEL CONTRAIR A CANDIDIASE BUCAL EXATAMENTE NA LINGUA ATRAVÉS DE SEXO ORAL.POIS GOSTARIA DE SABER…

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