Como qualquer usuário dos serviços odontológicos, todo paciente soropositivo para o HIV ou com aids deve ser atendidos da melhor forma possível, sempre, com o objetivo principal de promover a melhoria da sua qualidade de vida. Invariavelmente, o plano de tratamento a ser executado deverá considerar e integrar-se à história médica do paciente.

    O cirurgião-dentista, como profissional da área de saúde, deve está habilitado para tratar indivíduos portadores de doenças infecto-contagiosas. O melhor atendimento odontológico de rotina repousa na capacidade de tratar o paciente com segurança, independentemente de um conhecimento prévio da sua sorologia para o HIV/AIDS ou qualquer outra infecção, Uma parte importante do tratamento dos portadores do HIV e pacientes de aids é o estabelecimento de um relacionamento de confiança. Obtendo uma boa história médica e odontológica junto ao paciente, ouvindo e discutindo com ele essas questões, o profissional estará demonstrando preocupação e cuidado com a saúde integral.

    Freqüentemente, os sinais iniciais de imunodeficiência associados ao HIV ocorrem na cavidade bucal. Quando o profissional suspeitar da associação de uma manifestação bucal com a infecção pelo HIV, deve orientar o seu paciente para a necessidade imediata de uma avaliação médica, que determinará a necessidade ou não de terapêutica anti-retroviral. Assim procedendo, o profissional estará contribuindo para uma intervenção precoce, e criando condições para um diagnóstico favorável. O tratamento odontológico deve prosseguir conforme a necessidade do paciente, procurando coordenar este tratamento com os aspectos médicos de cada caso. O paciente deve sempre, ser informado sobre a confidencialidade da sua situação de saúde, e que o seu caso será discutido apenas com o médico ou com pessoas diretamente envolvida no seu tratamento.

Comunicando com o paciente e fazendo a sua história

    É importante ressaltar a representação social da infecção pelo HIV/AIDS. Desde o início da epidemia, ela vem sendo associada, pelos meios de comunicação, a temas que ainda constituem “tabu” em nossa sociedade, como a morte e sexualidade; e característica próprias de grupos minoritários, como homossexualidade, atividade sexual como profissional, ou uso de drogas injetável.

    Existem várias maneiras de se abordar a história do paciente. Ser direto e objetivo é a mais eficiente. Os pacientes apreciam quando o profissional é claro e direto, falando sem rodeios e não fazendo nenhum julgamento da sua condição sorológica ou comportamental. O estabelecimento de uma comunicação aberta e sincera facilita o tratamento.

    A seguir, algumas recomendações importantes para o profissional abordar a história do paciente, com detalhes, de forma positiva e não-preconceituosa.

  • Reforçar sempre que a informação é confidencial. Explique o motivo das perguntas, da importância das mesmas para o diagnóstico e futuro tratamento.
  • Não iniciar a anamnese com perguntas relacionadas à sexualidade ou ao uso de drogas. Estas perguntas podem ser abordadas quando o profissional sentir (ou julgar) que a relação de confiança com o seu paciente está suficientemente fortalecida.
  • Lembrar ao paciente que a informação correta permite um tratamento adequado das doenças bucais se interferir as condições sistêmicas. Exemplificar como doenças e medicamentos podem afetar a saúde bucal.
  • Não julgar o seu paciente pela aparência, pois esta não indica sorologia para o HIV/AIDS. Tal atitude apenas fomenta a discriminação.
  • Respeitar a singularidade do paciente, ouvi-lo e falar com ele utilizando uma linguagem acessível, compatível com o seu nível cultural.

Tratamento odontológico de rotina
 
    O tratamento odontológico de rotina do portador de HIV ou doentes de aids, assumindo-se que ele já possuam um diagnóstico e que esteja sendo acompanhado pelo médico, deve respeitar a seguinte seqüência de procedimentos:
 
Antes do tratamento do paciente:

  1. Perguntar como está se sentindo
  2. Revistar a história médica
  3. Protestar procedimentos invasivos quando houver uma queixa não esclarecida
  4. Fazer todas as anotações necessárias e planejar o procedimento antecipadamente evitando qualquer manipulação do prontuário até o final do tratamento.

Exame clínico    

    O exame extra-bucal tem o objetivo de detectar qualquer anomalia facial (aumentos de volume, crescimentos tumorais), exame da pele, lábios, palpação de cadeias linfáticas, músculos mastigatórios e testes nefrológicos.

    O exame intra-bucal tem por objetivo a detecção de áreas anormais ou patológicas. O exame dos tecidos moles deve ser completo e sistemático, de tal forma que todas as paredes da boca sejam examinadas. Esse exame deve incluir a mucosa labial, a mucosa jugal, os palatos duro e mole, a língua, o assoalho da boca e a orofaringe. Qualquer anotação no prontuário deve ser feita pelo auxiliar, para se evitar a contaminação do mesmo.

    Todos os achados devem ser anotados e analisados. Todas as vezes em que lesões dos tecidos moles forem detectadas, elas deverão ser avaliadas com prioridade, a menos que haja algum problema odontológico de emergência necessitando atenção imediata. Pode-se utilizar técnicas diagnósticas básicas como coloração pelo azul de toluidina, citologia exfoliativa, biópsia, cultura, testes laboratoriais e radiografias.

    Com a informação obtidas, o dentista deverá desenvolver um diagnóstico e uma plano de tratamento. O paciente deverá, sempre, receber a informação sobre os problemas bucais e as indicações de tratamento. Decisões sobre o tratamento deverão ser feitas de comum acordo entre o paciente e a equipe de saúde.

    Após a resolução de lesões e condições dos tecidos moles, o tratamento odontológico de rotina poderá ser iniciado.

Tags: , ,



Outros artigos relacionados ao tema

Gostou do artigo? Tem alguma dúvida? Deixe um comentário!

Você deve estar logado para publicar comentário Entrar »