Os ameloblastomas são tumores odonteogênicos constituídos pela proliferação de epitélio ameloblástico num estroma fibroso. Originam-se dos restos vestigias da lâmina dental ou do epitélio de cisto odontogênico, embora esta última possibilidade seja mais rara.
Este é um tumor com uma imagem cística multialveolar, que pode ser etiologia dental. A relação entre o dente e o cisto pode ser difícil de se detectar na radiografia, embora alguns cistos dentais podem se tornar ameloblastomas, por exemplo, do terceiro molar. Se o diagnóstico é incerto, uma biopsia pré-operatória é fundamental. Os ameloblastomas não são usuais no maxilar. Neste caso, eles geralmente ocorrem no seio.
Manifestam-se igualmente em ambos os sexos e ocorrem mais freqüentemente em torno dos trinta anos. Oitenta por cento desses tumores se localizam na mandíbula, principalmente na região dos molares e no ramo ascendente. Na região da maxila localizam-se de preferência na região do canino e do seio maxilar. São assintomáticos e de crescimento lento. Provocam expansão dos ossos maxilares, sendo este, na maior parte das vezes, o único sintoma indicativo da presença da neoplasia. Mostram grande tendência à invasão local e à recidiva, razão pela qual se recomenda cirurgia com margem de segurança para o tratamento desses tumores. As curetagens locais são absolutamente ineficientes e mesmo contra indicadas pela incidência elevada de recidiva que esta prática oferece, a não ser nos ameloblastomas localizados na parede de cisto. Ademais, as múltiplas recidivas parecem estar relacionadas à possibilidade de metástases pulmonares, neste tipo de tumor, devido à aspiração acidental das células neoplásticas durante os procedimentos cirúrgicos.

A expansão dos ossos maxilares provocada pelos ameloblastos se deve à infiltração das células neoplásicas em direção à tábua óssea vestibular e lingual. A invasão e destruição do osso alveolar causam deslocamento e mobilidade das peças dentais e considerável reabsorção radicular.
Radiograficamente os ameloblastomas, de modo geral, apresentam imagens radiolúcidas de aspecto unilocular. A aparência unilocular define uma lesão cavitária de tamanho e forma variáveis e de contornos definidos. A aparência multilocular revela uma lesão plurivitária ou multicística. De acordo com o número e o tamanho das cavidades , as lesões pluricavitárias são descritas como tendo o aspecto de bolhas de sabão ou de favos de mel. O primeiro se caracteriza pela presença de várias cavidades radiolúcidas de tamanho e forma diferentes. O segundo pela presença de grande número de pequenas cavidades radiolúcidas uniformes.
Do ponto de vista histológicos, os ameloblastomas são tumores constituídos exclusivamente de epitélio odontogênico. O epitélio odontogênico e, portanto, o parênquima do tumor, se apresenta como massas celulares sólidas ou como cordões ou ilhas cujas células periféricas, via de regra , assumem o aspecto colunar ou cuboidal semelhante aos ameloblastos. As células mais centralmente localizadas algumas vezes mostram morfologia semelhante à do retículo estrelado do órgão de esmalte. O estroma é pouco representado, sendo constituído por tecido conjuntivo pouco irrigado.
Ao lado aspecto clássico, o quadro histológico dos ameloblastomas pode variar, podendo apresentar os seguintes aspectos:
Folicular
Plexiforme
Acantomatoso
e de células ganulares.
No tipo folicular predomina o aspecto de massas celulares sólidas ou de ilhas, tendo as células periféricas um aspecto semelhante ao do epitélio interno do órgão do esmalte. Vez por outra, nota-se degeneração cística no interior destas massas ou ilhas epiteliais, merecendo então a neoplasia o diagnóstico de ameloblastoma folicular cístico.
No tipo plexiforme o epitélio odontogênico se dispõe em forma de cordões ou massas irregulares.
O tipo acantomatoso é o próprio ameloplastoma folicular que sofre metaplasia epidermóide nas células epiteliais mais centralmene localizadas.
Os ameloplastomas de células granulares se caracterizam por apresentar células com citoplasma rico em granulações eosinófilas. Admite-se que estas células granulares sejam originadas das células colocares do folículo dental.